Até você voltar



São sete da manhã de uma sexta-feira, hoje eu enrolei pra acordar, é difícil de eu me enrolar quando você não é minha companhia na cama, mas hoje aconteceu.

Levantei, imediatamente joguei o lençol para arrumar a cama e o vento trouxe o seu cheiro. Sorri de canto e achei impossível, olhei para a cômoda e você se fez ali, seu cheiro estava no colar que você esqueceu. Agarrei-o como quando te agarro pela cintura, apertei o mesmo como quando lhe aperto em meu abraço, querendo impedir a sua ida. Fechei os olhos e senti o seu cheiro, o mesmo que sinto quando repouso o meu nariz no teu pescoço. Deu saudade.


- Você já pediu alguém para o universo?

- Alguém não, mas eu pedi isso.

Ela fecha os olhos e respira fundo, com um leve sorriso nos lábios.

- Isso o que? Essa brisa ou um cheiro?

Ela respira fundo novamente, abre os olhos e me observa, dizendo com o olhar que eu já sei o que ela quer dizer.

Uma pausa…

- Te amo.

Sem resposta. Ela é silenciosa.


Abro os meus olhos e a minha mão, esse foi um dos últimos diálogos que tivemos pessoalmente.

Te lembro enquanto termino de arrumar a cama, lembro que você gosta dos travesseiros por cima do lençol, lembro que você não desgruda de mim enquanto dormimos e não esqueço que, você não pede por alguém específico. Isso me faz perceber que eu, pela primeira vez, também peço apenas por somas do que sou, por ensinamentos que me ajudem a ser melhor, que eu possa te somar e te ensinar algo também.

Mas se eu estiver pedindo muito, que possamos com paciência nos comunicarmos.

E com amor agradecermos até onde formos.

Volta logo. Te amo.

Com gratidão,

Kau Bonnett.

"Vá fundo dentro de si mesmo, pois há uma fonte de benevolência preparada para fluir se você continuar."

- Marco Aurélio