Do subsolo ao sol

Atualizado: 16 de Mai de 2020


Um pé após o outro, um atrás do outro. Um correndo o outro lento, desatentos e automáticos eles tentam se encaixar no espaço da multidão. Conseguem um espaço na mais lotada estação, enquanto seu coração implora por atenção. Eles marcham de cabeça erguida, rumo ao destino final. Trocam olhares diretos com palpitações momentâneas, são amores rápidos que em uma estação acabam. 

Assistem a vida acontecer pela janela do trem, enquanto ouvem pela quinta vez sua música favorita. O caminho é de volta para casa, nenhuma novidade no tempo, ele passa rápido no relógio e lento entre as estações. 

Vagões lotados, espaços apertados, parece até com a angústia de algumas almas. 

Linha final, só mais alguns passos e estarão em casa, tolos com o sistema desaprenderam que casa é onde a gente está.


Com gratidão,

Kau Bonnett.