O silêncio e o tempo

Atualizado: 10 de Dez de 2019

A admiração inicia um diálogo interno com a mente e o externo começa dizendo algo sútil através do olhar. A princípio parece loucura, e alguém que eu nunca havia prestado atenção antes, agora tem um holofote sobre si.

Logo, a admiração entra em contato com o corpo, fazendo-o mostrar em gestos o quão envolvido está com o novo. O primeiro contato acontece e o inevitável vibra. A partir de agora tudo terá mais cor, mais graça, as músicas carregarão ainda mais sentido e a admiração fluíra naturalmente.


Percebo que é fácil sustentar um sentimento de admiração quando estou distante, mas o melhor acontece quando estou presente. Existe uma ligação entre nós e o agora, e olhando nos olhos desse alguém eu percebo-a. Pulsa, mas pulsa diferente em mim, pulsa na minha mente e em meu corpo o desejo por fazer disso, algo novo e duradouro. Tenho fome de saber sobre tudo o que está do outro lado, mas talvez essa minha fome assuste.


Dou dois passos para trás, preciso ver de outros ângulos, preciso andar com mais lentidão e então, eu desacelero. Ao desacelerar deixo a admiração de lado e a dúvida surge para me confundir.

E é assim que algo que ainda nem começou, termina, porque aconteceu tudo apenas na minha mente.

Quanto silêncio cabe em um espaço que excedeu o sentimento?

Eu te perdi para o pouco tempo, ou melhor, eu evitei te viver por conta do tempo.



Com Gratidão,

Kau Bonnett.

"Vá fundo dentro de si mesmo, pois há uma fonte de benevolência preparada para fluir se você continuar."

- Marco Aurélio