• Kau Bonnett

No reencontro de nós mesmos



       Eu lembro dos passos que eu dei. Consigo lembrar do sol tocando a minha pele, a natureza me arrepiando e encantando a minha alma. Era a liberdade mais linda, o oxigênio mais intenso, era a presença da humildade de mãos dadas com a calma. Logo cedo eu acordava e me aceitava. Buscava pela paz que eu encontrava a poucos metros de mim. O prazer estava nos olhares trocados, nos gestos, no jeito torto e na ajuda. A respiração era constante, ofegante e muitas vezes linear. A energia ganhava de qualquer outro sentimento e se sintonizava com a contemplação. 


E de repente, tudo escureceu. Os abraços ficaram distante e o peso… O peso era o ar.  Eu sabia tanto, que no final, eu não soube de mais nada. E assim eu me perdi, assim eu entrei em modo automático e eu quis apenas existir. E nesse existir eu tive o feliz pensamento de que talvez, esse poderia ter sido o estalo de um despertar ímpar. Eu precisava acreditar em algo novo e foi nesse novo que eu segui.

Tornei o silêncio mais íntimo, a minha alimentação eu mudei e a novos exercícios eu me adaptei. Busquei pela minha infância, quem eu fui e hoje busco ser. Quero ser responsável pelas minhas frustrações, mas antes pelos meus pensamentos. Quero ser feliz comigo, antes de ser com alguém. Quero a minha solitude, em paz. Compreender meus monstros quando pequena, para agora adulta, estar de bem comigo. 


Eu serei uma versão melhor de mim, dia após dia, eu juro que eu irei me reencontrar.


No reencontro de nós mesmos está o que sempre seremos. 


Com gratidão,

Kau Bonnett.

"Vá fundo dentro de si mesmo, pois há uma fonte de benevolência preparada para fluir se você continuar."

- Marco Aurélio