Eu não evito mais o amor

Atualizado: 24 de mai.

Esse da foto é o Louie, cachorrinho da minha namorada. Quando comecei frequentar mais a casa dela, eu mantinha um pouco de distância dele. Não porque ele era bravo, muito pelo contrário, ele era extremamente amoroso e mimado, rs.

Depois do casal de gatos que tive aos quatorze anos, eu nunca mais quis ter animais de estimação. Eles morreram, ambos envenenados pelos vizinhos da região onde morávamos. Naquele tempo, a minha relação com os animais era diferente da que tenho hoje, não fui criada com o pensamento de que gato era dentro de casa, tinha quer ter as vacinas em dia e tudo mais. Onde eu morava gato ficava na rua também, caçava, voltava pra casa e era isso. Mudei meu pensamento um tempo depois de perdê-los, mudei tanto que não queria mais animais, via todos da maneira que realmente são: uma tremenda responsabilidade. Não queria também ter um bichinho em casa apenas para suprir a minha carência, passar o dia fora de casa, deixá-lo sozinho e enfim, essas coisas. Mas aí, ano passado o meu irmão adotou um gato de rua e levou para nossa casa. A princípio era dele e eu comecei a cuidar. Vacinas, castração, vermífugos, carinhos… eu o ajudei e ele me adotou, e também me ajudou. Eu estava em um momento muito depressivo e ele era a melhor companhia que eu poderia ter naquele momento. E assim foi, ele virou um gato lindo, sadio e ativo.

A vida voltou a movimentar e ele convivia comigo e com a minha mãe, até que eu comecei a viajar e ele começou a conviver muito mais com a minha mãe. Eu voltava para casa e via o quanto um aprendeu amar o outro e agora o Kio é a melhor companhia da minha mãe. Eu sinto muito, a falta dele, muita saudade, mas não penso em tirá-lo do lugar que ele escolheu para ficar e de quem ele possivelmente também escolheu amar.

Voltando ao Louie, eu resisti muito a esse garotinho e também a Jade que é a irmã dele, resisti porque não queria que mais um buraco se abrisse em meu peito quando eles partirem um dia. Não queria sentir saudade deles também, quando eu estivesse longe, mas aí eu lembrei dos tantos outros amores que evitei viver para não passar pela dor que é o final das coisas. E quando evitamos o amor, a vida fica vazia e triste.

Todas as manhãs o Kio acorda a minha mãe com “lambeijos” e a Naná (outra cachorra que adotamos) recebe a minha mãe com rebolados e alegria. Todas as manhãs o Louie abana o rabo o mais rápido possível e a Jade fica ansiosa para pular na gente e dar bom dia. Eles esperam a porta abrir e se tiver sol… a festa está garantida. Eles nos ensinam todos os dias sobre o que é viver e que sim, o amor pode crescer, e crescer e crescer.

Eu não evito mais o amor, vivo por e através dele.


Com amor,

Kauany Bonnett.