Estações da vida


Todos os dias, quatro etapas. 

O primeiro trajeto é rápido, a pé, percebendo a cidade servir o café da manhã e ouvindo os pássaros. Segunda etapa mais rápida ainda, de ônibus, assistindo os rostos cobertos pelo sono, cansados logo cedo, porém curiosos com o dia que acabara de começar. Terceiro trajeto, a caminho do metrô. Esse você já sabe... Uns rápidos outros lentos. Já no trem o espaço aperta, o frio não existe e o cansaço é perceptível. Quarta etapa, quinze minutos, diversos corações passam por mim, infinitos sonhos, eternas oportunidades espalhadas. Fim da primeira de quatro etapas. Um longo dia de trabalho e poucas horas de jornada. 

Começo da segunda parte de também quatro etapas. Quinze minutos de volta. Os carros tomaram as ruas, agora o aperto é entre os semáforos e entre os corações ansiosos, que buzinam sem parar. A música flui no compasso dos passos. Fim do primeiro trajeto, início do segundo. Os passos do final do dia são diferentes da manhã. Agora há ansiedade, há pressa. O trem lotado, sentido casa. Alguns corações já sabem, outros ainda irão descobrir... Casa é onde a gente se encaixa, lar é onde a alma vive.

Terceira etapa, metrô. Nesta parte várias linhas se conectam e muitas histórias acontecem. Nessa parte o menino de 11 anos é pego pelo guarda, estava vendendo bala para alimentar os próprios desejos, os sonhos. A senhora abre a mochila, vende chocolate para alimentar os filhos e adoçar a vida dos passageiros. A mãe com o filho no colo, implora por um pedaço de pão, pela atenção. O menino homem caminha rápido com o fone no ouvido, ouve só, a sua ambição. A menina mulher com o fone no ouvido não consegue nem escutar a música, o coração insiste em falar mais alto e ela chora. Essa etapa é a mais forte, o final do dia é sempre mais forte. Último trajeto, minutos, o silêncio no ônibus é visível, totalmente visível. O cansado venceu. 

Guardo o celular no bolso, mais alguns passos até em casa. Agradeço. 


Com gratidão,

Kau Bonnett.