Ela me ensinou ser



   Eu lembro - por entre as linhas da memória e fotografias - do meu primeiro ciclo de amor. Ela acariciava o meu rosto em silêncio e me embalava. Falava que eu era a coisa mais linda do mundo (ela provavelmente disse isso para todos os meus irmãos). Ainda em meu primeiro ciclo inconsciente de amor, ela lia histórias em quadrinhos para mim, incansavelmente, todos os dias. Ela acordava no meio da noite para ver se eu dormia bem. Beijava-me infinitas vezes durante o dia e a dor maior pra ela, era quando eu me machucava. Ela me ensinou as coisas mais puras e lindas. Ensinou-me a qualidade e o valor do cuidado com o próximo. Claro que era dever dela como mãe me cuidar, mas não era meu dever repassar esse cuidado que ela teve comigo. E eu o fiz e ainda faço, se isso se chama caráter ou gentileza eu não sei. O que eu sei é que a cada ciclo de vida que eu avanço, eu vejo cada vez mais a minha mãe em mim, só que multiplicada. Eu ainda não tive um filho, mas eu recebi muitas pessoas em minha vida. Muitas vezes fiz coisas sem saber o motivo, mas em todas as vezes eu busquei o valor do carinho, fiz o meu melhor naquele momento e eu amei, eu amei com todo o amor que recebi e que pude acrescentar. Eu não sei o que é exatamente a palavra “gentileza”, mas eu acho que ela sempre esteve presente em minha vida, de muitas formas. 


Muito antes de ter, ela me ensinou a ser. 


Com Gratidão,

Kau Bonnett. 


"Vá fundo dentro de si mesmo, pois há uma fonte de benevolência preparada para fluir se você continuar."

- Marco Aurélio