Como vai a vida?



     Hoje é terça-feira e depois de cinco meses alguém me pergunta “como vai a minha vida”. Respondo apenas que vai bem e nesse exato momento, tudo o que eu realmente tinha vontade de dizer, começa a passar em minha mente como um filme, um filme com uma linda protagonista.

Sinto vontade de começar contando sobre os nossos olhares, o jeito que ela me fitava e me lia, e sim, parece como qualquer outra história que se vê por aí, mas você não entenderia se eu dissesse que ela é diferente. Nos primeiros minutos de conversa ela entrelaçou os dedos nos meus, sem nem me conhecer. Ela sorriu de canto, riu alto, acendeu o seu cigarro e encostou-me em seu colo. Você entende que isso não é comum nas primeiras horas? Isso não é comum entre pessoas normais. E eu estava certa, ela era a anormalidade que eu tanto procurava. 

Eu tenho vontade de aprofundar ainda mais a história e dizer que fomos longe naquela noite, falamos em filhos, vários, e tudo fazia parte do que eu estava sentindo naquele momento e naquelas poucas horas com ela. Foi uma despedida intensa, mas não mais que o nosso reencontro. 


Queria continuar a história dizendo que hoje estou um pouco distante, mas que meu coração eu deixei com ela, aquelas coisas clichês mesmo, de filme, de quem acaba de conhecer outra pessoa incrível e está terrivelmente apaixonada, mas como eu dizia, fisicamente estou distante. E enquanto estou cozinhando, tempero a comida imaginando se ela gosta daquele tempero ou não. Acordo cedo e olho para o lado, imagino ela ainda de olhos fechados, enrolando pra acordar. Arrumo a cama pensando se ela prefere os travesseiros por baixo ou por cima do edredom. Saio pra ver o dia, imaginando ela ao meu lado, reconhecendo a vida, me ensinando e aprendendo comigo. 

Se alguém me pergunta “como vai a vida”, a primeira e única coisa que eu quero dizer, é que eu a encontrei. 


Com Gratidão, 

Kau Bonnett. 

"Vá fundo dentro de si mesmo, pois há uma fonte de benevolência preparada para fluir se você continuar."

- Marco Aurélio