Kau Bonnett,

Com Gratidão

e com a alma.

NÃO LEIA COM A RAZÃO

  • janeiro 28, 2019
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O texto a seguir é longe de ser uma desculpa, e não está nem perto de um desabafo. 
    
      Coloquei o pão de queijo assar tem cinco minutos. Antes de colocá-lo no forno, abri o pacote e fui fazer outras três coisas. Voltei para o pacote e programei o relógio para vinte e seis minutos - pois um minuto eu demoraria para organizá-lo na forma e por pra assar. 
Nesses cinco minutos organizando a cozinha, lembrei consciente das infinitas vezes em que estive na companhia da incerteza dentro do elevador e tive que voltar para casa para conferir se tinha tirado a chapinha da tomada. Quando morei sozinha, não saía de casa um dia se quer sem fechar o gás. Era gás encanado, não havia perigo, mas eu já voltei pra casa de um evento mais cedo, porque estava na dúvida te der fechado ou não. 
Sete minutos de pão de queijo assando, deu tempo de eu lavar a louça, era pouca, mas eu tenho essa mania de lavar a louça. Eu cozinho e já vou lavando o que sujo. 
Quinze minutos já, estou conferindo pela terceira vez se eu pus todas as coisas que preciso, na mochila. Sairei de casa daqui dezoito horas e ela precisa estar pronta agora. 
Vinte minutos, e sim, eu também percebi… Eu sou insegura com relação as coisas de casa. E se com a casa eu sou assim, imagine com o meu lar, ou seja, eu comigo mesma. 
Vinte e seis minutos, o relógio desperta e eu abro o forno, o pão de queijo está queimado. 
Eu, sempre acostumada com as instruções da outra marca, pensei que todas fossem iguais… Eis o resultado. 



Com Gratidão,
Kau Bonnett. 




Photo by Alexandra Gorn on Unsplash


Kauany Bonnett (1996). Nasceu em Santa Catarina e atualmente reside em São Paulo. Começou escrever com 14 anos de idade. É aficionada pelo comportamento humano e pelos ensinamentos da vida. Por isso, transforma os momentos vividos em palavras.

4 comentários:

  1. Que texto, to apaixonada. Parece eu vivendo no automático, com as mesmas regras de sempre e com o medo no "novo"

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  2. A minha insegurança me leva ao isolamento. Não consigo contar quantas vezes meu melhor amigo me chamou para sair com outras pessoas e eu recusei, falei com a minha total sinceridade de como ficaria desconfortável. É difícil conhecer outro ser, penso em todas as possibilidades possíveis de coisas que possam acontecer e todas elas meio pessimistas. Eu tô ligada que a vida é uma caminhada e aos poucos nós vamos conquistando as coisas pelo caminho, mas a autoconfiança - corpo e mente, tem sido lenta na progressão.
    É difícil se expressar. É difícil manter "a casa" organizada.

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  3. Não sei oq está acontecendo comigo, estou parada, me sentindo nada, e não estou sendo capaz de tomar uma atitude para voltar a viver

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