Kau Bonnett,

Com Gratidão

e com a alma.

VOCÊ FOI A INTENSIDADE MAIS LINDA

  • junho 11, 2018
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          É um tempo cibernético demais para sentir o amor. Um tempo onde os likes são ou não a junção de dois seres, mas não era esse tempo louco quando eu a conheci. Impossível esquecer aquela interminável troca de olhares que durou uns três minutos. 
Contei três e esqueci o resto, o tempo fez questão de voar e a conexão foi ficando cada vez mais intensa. Eu sabia que o tempo não iria esperar, não iria me perdoar, então eu precisava guardar algumas coisas dela. Comecei a minha coleção de saudades, cedo.
         Ela tinha um jeito dela, mas ela também tinha um jeito dela comigo e era um jeito bobo de ser. As sete da manhã ela era a pessoa mais atrapalhada do mundo para se vestir, isso quando não desligava o despertador para dormir mais um pouco. Nos dias de semana ela usava uma camisa social que a deixava ainda mais linda! 
Ela tinha uma mania linda de percorrer o meu rosto com beijos. Quando chegava dez da noite, ela fazia um barulho estranho com a boca (um barulho de preguiça) e se aconchegava nos meus braços. Os olhos dela, eles contavam tantas histórias! Eles fitavam os meus por longos minutos, e a única coisa que quebrava aquela hipnose era a boca dela puxando de canto e eu sorrindo em resposta.
Não existia distância entre nós, cada vez que nos víamos parecia que nem tínhamos ficado longe um mês. Ela não se importava nenhum pouco de pegar o carro e ir até mim, não importava o lugar que eu estivesse, e eu amava muito isso. Todos os dias, durante uma semana, eu tive as mãos dela na minha cintura enquanto eu preparava o café. Ela me conhecia tanto que quando eu tremia o lábio inferior, ela já me abraçava ou me fazia rir, pois sabia que eu queria chorar. Era dona de uma marra só dela e de uma “mala” para dirigir também, e eu adorava quando ela passava a viagem toda com a mão na minha. Ela tinha um coração bobo demais para o amor e grande demais para lidar com o mesmo. Mas era também, dona de uma racionalidade sinistra. 
Ela era inteiramente família e isso me aproximou ainda mais dela. Nós assistíamos filmes, mas nunca chegávamos no final. Teve um dia que a gente saiu para correr e ela torceu o pé (foi muito tenso para mim) eu queria carrega-la no colo, eu queria voltar o momento e impedir aquilo, eu só queria que ela não sentisse dor. 
Nós cozinhávamos juntas, pouco, mas cozinhávamos. Aliás, ela me ensinou fazer crepioca e eu repito isso praticamente todos os dias, até hoje, e ainda passei a receita para a minha família inteira.
         Eu guardei cada detalhe dela em mim. Cada beijo que dei na mão dela, e por sinal, eu amo a mão daquela mulher! Eu guardei tudo para terminar dizendo que não ficamos juntas e muito menos separadas. Acho que grandes histórias têm que ser assim mesmo, complicadas de explicar. Toda vez que ela me dava as costas, me vazia acreditar que o amor era apenas um vazio. Toda vez que ela voltava, me fazia querer lembrar as mais belas palavras, para contempla-la. Ela tinha o dom de me virar do avesso.
         Ouvi dizer que o amor acontece nos sinais, nos menores sinais. Então esse texto é um sinal, um sinal meu de que eu não quero mais ninguém. O espaço dela vai ficar aqui até ela voltar, olhar nos meus olhos e dizer: Adeus. Mas se esse adeus não acontecer e se esse último sinal ela ver, deixa-me tentar mais uma vez... Você aceita crescer comigo?

E é o amor mais sincero.


Com gratidão,
Kau Bonnett. 



Kauany Bonnett (1996). Nasceu em Santa Catarina e atualmente reside em São Paulo. Começou escrever com 14 anos de idade. É aficionada pelo comportamento humano e pelos ensinamentos da vida. Por isso, transforma os momentos vividos em palavras.

10 comentários:

  1. que texto lindo... você sempre consegue arrancar um sorriso de mim com seus textos, não importa o assunto.
    obrigado por me fazer sorrir :)

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  2. um dia eu quero conseguir fazer textos tão lindos quanto os teus, e viver momentos que acabem virando poesias como as tuas, tu é minha inspiração mais pura e linda...

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    1. A poesia está sempre escondida nos detalhes, saiba observar <3

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  3. Tão legal escrever com a alma.

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  4. O amor, aconteceu e foi incrível.
    Me convenci que seria o suficiente e para sempre.
    Mas logo você deixou de vir. Então me apeguei ao que ficou, o amor.
    Ele perdura até hoje.
    Ainda o sinto, como saudade.
    Mais uma, que se amontoa junto a tantas outras.
    E sim ainda te espero, não como cobrança de um adeus nunca dito. Mas como um sôfrego fim de um novo começo.

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  5. Regina Teixeira da silvaquarta-feira, 26 setembro, 2018

    ''Eu guardei cada detalhe dela em mim'' pelo amor de deus sao 10 da manha e eu chorei com esse texto, serio. sem condições. Obrigada!

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  6. Que sorte em viver esse sentimento, que sorte amar alguém dessa forma e ter a certeza de que foi algo recíproco. Esses amores é que marcam nossa vida e que nos fazem crescer, eu amei assim, duas vezes. Se não der pra você dessa, que venha outro pra te virar do avesso novamente, dói, mas é gostoso.

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  7. Consigo, lendo esse texto sentir a sensação de cada momento desses vividos!Emocionante,uma bela história de amor. Obs.a pouco tempo te acompanho mas não consigo deixar de ler seus textos pq sinto uma verdade tão intensa me fazendo pensar mais sobre a vida obrigado.

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