Kau Bonnett,

Com Gratidão

e com a alma.

SEMPRE FOI FÁCIL FALAR DE NÓS

  • julho 18, 2017
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20 de junho de 2015, 09:02 da manhã, acordou mais uma vez antes do despertador, mas desta vez com a ansiedade no peito. Na TV iniciava uma série nova e o seu coração esperava por um novo personagem. Onze e pouco da manhã, a campainha toca, abriu a porta e automaticamente sua alma voou de encontro a outra. Um reencontro que até hoje lhe causa suspiros. Impossível esquecer aquela interminável troca de olhar que durou três minutos. 
Depois dessa parte, a série foi esquecida e o tempo disparou. Os minutos viraram segundos e a conexão ficou cada vez mais intensa. Sem se preocupar com o próximo capítulo, ambos se entregaram inteiramente na primeira parte. A confiança parecia vir de outras vidas e o amor de outro mundo. 
Foi uma semana que durou anos e o tempo para ambos nunca foi problema, mas também nunca foi normal. 
09:21 - 29 de junho de 2015: "Eu te desejo toda a paz, eu te desejo toda a sorte, mas espero do fundo do peito que você volte." Nunca uma música fez tanto sentido como fazia agora. O desejo de reviver o encontro todos os dias, era inexplicável. E o inexplicável aconteceu... 

Dois anos se passaram. Meses de idas e vindas, de saudades e não saudades, de birra, de marra, de brigas, de amor. Enquanto um queria o todo, o outro só queria o pouco. Enquanto um não queria mais ninguém, o outro só queria viver com alguém. Enquanto um nunca soube o que escolher, o outro só queria poder escolher viver ao lado do outro ser. Ninguém mais entendia a história, muito menos ambos. Um estava cansado de tentar dar certo com vários, o outro não conseguia ficar sozinho. Um pedia cuidado, o outro queria cuidar. Não ficavam juntos e muito menos separados. 
O tempo ainda disparado insistia em unir os olhares vez em quando, parecia inclusive estar brincando com ambos corações. Insatisfeito com um encontro, disparava nas estações de trem o perfume do personagem, só para mexer com a saudade e aguçar a vontade. 
Encontrou a sua parte em todos os lugares, nos detalhes, quase todos os dias. Manteve o amor intacto e preservou o seu lado. Cuidou de seu jardim e reorganizou com carinho depois de cada reencontro. Foi pouco. O personagem segue por ai, refazendo os mesmos caminhos, tentando se encontrar longe do seu reencontro, tentando se acomodar em outros jardins. 
Já eu... Eu sigo iniciando e finalizando séries. Abrindo e fechando portas. Esvaziando gavetas e tentando novos encontros. Sigo tentando me encaixar no vagão lotado, enquanto sinto o teu cheiro me adentrar o peito. Eu sigo mesmo contra a vontade, tentando seguir assim, apenas comigo. 



Difícil mesmo é te ter aqui perto. 


Com Gratidão,
Kau Bonnett. 








Kauany Bonnett (1996). Nasceu em Santa Catarina e atualmente reside em São Paulo. Começou escrever com 14 anos de idade. É aficionada pelo comportamento humano e pelos ensinamentos da vida. Por isso, transforma os momentos vividos em palavras.

1 comentários:

  1. Relacionamentos são tão simples e ao mesmo tempo tão complicados. Complicado sentir algo por uma pessoa que não tem o mesmo sentimento pela gente, ou que até tem, mas isso não é uma prioridade. Enfim, na hora certa sempre encontraremos a pessoa certa, ou não, se o certo for ficar em nossa própria companhia. Texto lindo!

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