Kau Bonnett,

Com Gratidão

e com a alma.

Textos

NÃO SE RELACIONE COM ESCRITORES



Eles sentem demais e fazem tudo intensamente. 
Eles vão gostar dos seus detalhes e escrever rios de textos e frases sobre você. 
Vão tentar aplicar no relacionamento, tudo o que eles leem e entendem como relacionamento amoroso correto, mas talvez eles sintam diferente, talvez eles não tenham autoconfiança ou segurança o suficiente. Talvez nada para eles seja o suficiente. 
São indecisos, quase o tempo todo eles são indecisos e eles talvez não saibam conviver com isso, provavelmente isso irá te confundir. 
Tudo o que eles escrevem, não é exatamente o que eles são, mas na maioria das vezes o que eles gostariam de ser. 
Eles são extremamente apaixonados. Nas datas comemorativas você irá se sentir um nada, e inclusive não irá conseguir dedicar um texto a eles, mesmo que não seja seu. Porque eles farão questão e não será nem esforço para eles, lhe escrever um texto de quase 100 linhas. 
Quando você se cansar de tudo isso e terminar com eles, a dor deles será intensa e possivelmente transformada em um texto. Todo e qualquer sentimento, nos dedos de um escritor, viram linhas inacabáveis de desabafos felizes e dolorosos. E eu tenho certeza, que todos eles sentem muito por sentir demais tudo. 

Mas se depois de todos esses avisos você ainda quiser ser titulo de um amor que não deu certo, de um best-seller ou de uma história que inspirou um filme. Se mesmo assim quiser experimentar viver intensamente, sentir os detalhes amargos e os ângulos imperfeitos da vida. Se você anseia por alguém que te sinta e que te ame profundamente. Se deseja alguém que ficará te encarando por horas, nos olhos, ou alguém que te fará surpresas inesperadas apenas para te ver sorrir. Se você realmente optar por viver momentos simples e de extrema felicidade antes de um terrível fim… relacione-se com escritores. 

Eles não querem apenas escrever mais um texto sobre mais um alguém que eles amaram, eles querem mostrar ao mundo o poder de um amor, querem que o mundo veja nas entrelinhas o verdadeiro motivo de estarmos vivos. Porque eles sabem que ninguém vive sem a poesia e ninguém morre sem ao menos amar uma vez. 


Com gratidão,
Kau Bonnett.



Photo by Andrew Neel on Unsplash

SEM TÍTULO




      É madrugada e eu estou debaixo do chuveiro tentando parar as minhas lágrimas. Deixo a água penetrar em meu peito para ver se me acalma, mas não há calma aqui. Decido deixar o devaneio me levar para longe e começo a pensar em como somos sozinhos. 
Jung tinha razão quando disse que: “A solidão não nasce de não termos ninguém próximo, mas de sermos incapazes de comunicar as coisas que nos parecem importantes ou de sustentar certas opiniões que outros acham inadmissíveis”. Isso nos enfraquece até chegarmos ao ponto de nos calarmos, até chegar ao ponto de só conseguirmos responder o óbvio, sem jeito algum e com agressividade, até chegarmos ao isolamento. 
Penso - ainda deixando a água cair sobre o meu peito - que isso é algo eterno, pois, Jung aos seus 79 anos, ainda sofria com as seguidas crises de depressão e dúvidas sobre si mesmo. Não que eu queira falar apenas desse incrível ser humano que deve ter sido Jung, muitas pessoas inclusive nem tem conhecimento dele, mas é que hoje, lendo os seus ensinamentos, percebo que isso sempre existiu, em todas as épocas e talvez desde sempre. 

Desligo o chuveiro, o choro acabou por agora e por hora vem me a vontade de fugir de onde estou. Buscar algo em outra cidade, começar uma nova vida, ser um alguém diferente, simples e comum, alguém anônimo. Mas o que eu queria mesmo era deixar os meus pensamentos aqui no banho, para então pegar as malas e partir, pois eu sei que, não importa o quanto eu fuja o sofrimento sempre irá me alcançar. Jung dizia que: “Devemos suportar o nosso sofrimento, pois, o homem que nunca atravessou o inferno de suas paixões, nunca conseguirá supera-las”. 

Visto-me, fecho a porta do banheiro e deito novamente em minha cama fria e vazia de tudo. Não há lembranças recentes que eu queira reviver, pois elas doem. Não quero da minha infância recordar, pois as memórias me fazem querer voltar no tempo. Não tenho futuro para projetar, pois não desejo que a ansiedade impeça o sono de chegar. Não há nada, simplesmente nada a se fazer, e é assim que a dor aparece. Suporto o sofrimento para então supera-lo.


“Decidir morrer para fora e viver para dentro”, é o mais alto preço da humanidade, quem estiver disposto a pagar, corre o risco de enlouquecer. 



Com gratidão,
Kau Bonnett.





Photo by Jp Valery on Unsplash

A VIDA É UM INSTANTE



A vida é onde estão os detalhes, a respiração, o tempo, o silêncio, a natureza, o contemplar de tudo e principalmente onde existe amor. 
A morte é o presente, ou um presente incerto, que está o tempo todo ali, ao teu lado e quase sempre dentro de ti, mansa e silenciosa. Em um instante é um agora, trazendo a consciência e ás vezes é surpresa, deixando a dúvida.
Na vida há sonhos futuros e alegrias passadas, na morte - quando não instantânea - há apenas o momento agora.

Cuidado para não morrer aos poucos, cuidado para não viver demais… Equilíbrio para ser eterno! 

E a morte é um presente.


Com gratidão,
Kau Bonnett.






Photo by Ahmad Odeh on Unsplash

QUANDO EU FINALMENTE ME ADAPTEI A ELA


*Antes de ler este texto, leia ESTE TEXTO, mas se já o leu, prossiga com este :)*



         Eu tenho quatro orquídeas, ela as conheceu hoje. Descobrimos juntas novas plantas e tivemos a ideia de ter algumas em nossa futura casa. 
Conhecemos semana passada um café aqui perto, lá, servem os ovos mexidos e cremosos que ela gosta, e também servem o avocado com ovos que eu gosto. 
Eu havia esquecido o quanto é bom andar livre na rua e presa com os meus dedos entrelaçados aos dela. O quão incrível é, caminhar pelos bairros e fazer planos para a nossa vida. 
Mês passado fomos de carro para a praia, ela me deixou guiar e enquanto a rua me prendia a atenção, eu cantava. E ao direcionar o meu olhar para ela, eu sabia ter encontrado o meu lugar na estrada. Agora, ela me protegia segurando a minha mão.
Descobrimos no caminho, novas músicas. Aprendi com ela a gostar de Caetano e conheci Marisa, parece coisa óbvia, mas pra mim foram coisas incríveis! Ela comigo, aprendeu a gostar de Ana Gabriela. 
Eu não sou mais tão fã de café, mas ela ainda gosta, então a gente toma por aí, as vezes. 
Perdi a conta de quantas noites conseguimos estar juntas, finalmente esses dias chegaram, pra variar, a gente não desgruda nem dormindo. 
Minha pinta continua com o mesmo nome, ela quem deu. 
Já surgiram muitas oportunidades de tocar Relicário e fazer o prometido, mas agora é sério e exige tempo, exige planejamento. 
Agora eu definitivamente acredito no fio vermelho do destino. Agora ela está comigo! 
         Hoje eu me adaptei a ela e ela esta se adaptando a mim. Estamos nos reconhecendo, nos ajudando, evoluindo e percebendo cada passo dessa história. Hoje nós temos tempo, temos vontade e temos um porque.  
Ela me ajuda com o meu profissional e eu a ajudo como posso, nas pequenas e grandes coisas. Planejamos juntas cada passo e cada viagem. Aprendemos que uma energia, um sonho e um objetivo duplicado, tem muito mais chances de virar realidade. 

Quase um ano do último texto de adeus. Quase um ano de evolução individual. 
É preciso calma, paciência e compreensão. É preciso saber o que quer e o que merece, e não desistir. 
Tudo o que é pra ser seu, será seu!


Ela mostrou-me ser adepta a mim também.



Com gratidão,
Kau Bonnett.




Photo by Tom Crew on Unsplash

NÃO LEIA COM A RAZÃO



O texto a seguir é longe de ser uma desculpa, e não está nem perto de um desabafo. 
    
      Coloquei o pão de queijo assar tem cinco minutos. Antes de colocá-lo no forno, abri o pacote e fui fazer outras três coisas. Voltei para o pacote e programei o relógio para vinte e seis minutos - pois um minuto eu demoraria para organizá-lo na forma e por pra assar. 
Nesses cinco minutos organizando a cozinha, lembrei consciente das infinitas vezes em que estive na companhia da incerteza dentro do elevador e tive que voltar para casa para conferir se tinha tirado a chapinha da tomada. Quando morei sozinha, não saía de casa um dia se quer sem fechar o gás. Era gás encanado, não havia perigo, mas eu já voltei pra casa de um evento mais cedo, porque estava na dúvida te der fechado ou não. 
Sete minutos de pão de queijo assando, deu tempo de eu lavar a louça, era pouca, mas eu tenho essa mania de lavar a louça. Eu cozinho e já vou lavando o que sujo. 
Quinze minutos já, estou conferindo pela terceira vez se eu pus todas as coisas que preciso, na mochila. Sairei de casa daqui dezoito horas e ela precisa estar pronta agora. 
Vinte minutos, e sim, eu também percebi… Eu sou insegura com relação as coisas de casa. E se com a casa eu sou assim, imagine com o meu lar, ou seja, eu comigo mesma. 
Vinte e seis minutos, o relógio desperta e eu abro o forno, o pão de queijo está queimado. 
Eu, sempre acostumada com as instruções da outra marca, pensei que todas fossem iguais… Eis o resultado. 



Com Gratidão,
Kau Bonnett. 




Photo by Alexandra Gorn on Unsplash


QUEM É KAU BONNETT?


         Eu sou Kau Bonnett, tenho vinte e dois anos. 
Hoje eu decidi escrever esse texto para falar dos meus últimos cinco anos vividos. Cinco anos é o tempo perfeito, porque foi justamente aos dezessete anos que a minha vida mudou. Foi quando ocorreu o meu primeiro contato com a cidade grande e automaticamente, a primeira expansão mental. Nos dezessete anos eu tive contato com o primeiro livro que iria me fazer gostar realmente de ler, o autor era Napoleon Hill, e naquele momento eu soube que eu gostava de Autoajuda. Foi onde eu iniciei inconscientemente o caminho do autoconhecimento. Por mais que eventos dos meus anos passados já tivessem me dado pequenos sinais, nos dezessete foi onde eu abri os meus olhos. 

Aos dezoito eu aprendi a ambição e o desejo do material. Conheci seres incríveis. Me conectei com pessoas que elevaram não só a minha mente, mas também o meu espírito, me ensinaram indiretamente o poder da fé e do amor. 
Eu tive uma marca de camisetas junto com meu irmão de vida, nós éramos sensacionais, mas como eu disse, eu estava no meu primeiro contato com a ambição e sem saber, também estava no meu primeiro contato com o meu propósito, que desde sempre foi: servir a humanidade. Perdi-me, com isso a marca parou de vender e eu parei de sonhar para ela. 

Com dezenove anos trilhei alguns caminhos diferentes do que eu estava acostumada. A edição de vídeo me acompanha desde os quinze anos, então eu decidi coloca-la em pratica e trabalhar em uma produtora de vídeo.

Aos vinte trabalhei em uma Hamburgueria que tinha iniciado no caminho do empreendedorismo social e foi incrível a minha jornada de 6 meses ali, eu juro! 
Em paralelo a tudo isso, eu continuava escrevendo desde os meus quatorze anos. E entre um trabalho e outro, eu fazia trabalho voluntário no Projeto Resgate. 

Aos vinte e um a minha vida virou totalmente. As crises de pânico voltaram (eu tive desde os meus onze anos) e pareceu que aquela coisa de setênios era real. Tinha um vazio na minha mente que eu precisava urgentemente preencher. Voltei para a cidade gigante (São Paulo) e busquei abrigo no trabalho voluntário, em um centro budista. Sai de lá com a mente mais calma, com a respiração em dia e com um trabalho a fazer. 
Mais uma vez entrei em um trabalho que não sabia fazer, mas aprendi… Marketing e comunicação. Em paralelo a isso, a escrita continuava e os trabalhos voluntários também. 
O meu propósito seguia gritante em mim, tão gritante que eu lancei um livro, dentro de um escritório, trabalhando oito horas por dia, cinco dias na semana, eu alinhei todas os meus escritos e surgiu o livro “Com Gratidão”Por que esse nome? Conscientemente o trouxe de 2015, dos meus dezenove anos, quando na volta pra casa do meu primeiro dia de trabalho voluntário eu tive o sentimento de: Se eu morresse agora, eu morreria muito feliz e muito grata. Esse foi o meu primeiro contato consciente com a gratidão, consciente eu digo porque dentro de casa a minha mãe sempre nos instruiu a agradecer muito mais do que pedir, e finalmente ali eu tinha entendido parte do que eu sempre fiz no automático. Ali o meu propósito estava no caminho. Com gratidão eu escrevi um livro, nada mais justo do que esse ser o nome. 

Aos vinte e dois anos eu sai do escritório e voltei a edição de vídeo. E eu me perdi em mim, novamente eu me perdi no propósito, no que fazer, no que ser e principalmente no que querer. Então eu decidi correr, eu fazia isso desde os dezesseis anos, mas era sempre com idas e vindas, sem prestar atenção. Eu decidi correr de verdade e com isso conclui em agosto a minha primeira meia (21km) e em novembro a segunda. Com isso eu percebi o tamanho da minha força e do que eu consigo.
Eu continuei cantando e tocando violão, coisas que fiz desde os nove anos, por prazer, por mim mesma. Eu continuei escrevendo, eu nunca parei. Continuei lendo. Eu apenas continuei a ser quem eu sou e a buscar o ser que quero me tornar. 
O meu maior orgulho será quando eu puder devolver para a minha família, tudo o que eles me deram, principalmente de forma emocional. E a minha maior gratidão, será sempre, dia após dia, conseguir impactar positivamente a vida de pelo menos uma pessoa. 

      Esses cinco anos fizeram-me perceber o quão a vida nos surpreende. E eu acredito que será essa busca constante até o final de tudo, até eu fechar os meus olhos para sempre. Eu vou seguir o meu coração e aceitar os novos dias. Irei me perder e me encontrar de tempos em tempos, apenas para perceber que estou viva. 


Com Gratidão,
Kau Bonnett.

LIVRE, SELVAGEM E IMPAGÁVEL


   A primeira música que ela me mostrou eu quis absorver a letra inteira, apenas para cantar olhando pra ela e misturar os nossos tons e sorrisos, cantando bem alto. No instante em que o meu olhar cruzou com o dela, eu desejei ler aquelas entrelinhas. 
   Ela foi mistério no primeiro instante e continua sendo em partes. E, eu não quero saber tudo sobre ela, mas eu quero conhece-la. Desejo saber qual a sua comida favorita hoje e apresentar a ela uma comida diferente amanhã, algo que ainda não conheça. Vai ser bom saber qual é o conforto dela, qual o dia favorito e quantas vezes ela põe os pés no chão para se sentir em paz. 
  São palavras confusas né? Eu sei, ta me custando organizar tudo, mas é que eu sinto muito, longe e perto dela eu sinto muito! Quero cuida-la, sem pontuação correta, sem lugar programado, sem rótulos e muito menos horário. Com a maior calma do mundo, eu quero cuida-la. 
Igual dente-de-leão. 

Com gratidão,Kau Bonnett. 

SOBRE OS RECOMEÇOS

      Essa já deve ser a décima vez que eu começo escrever sobre ela. Todo começo de texto parece clichê e na minha mente, um papel só, não será o suficiente. Todas as frases parecem poucas, e a verdade é que os nossos momentos até agora, foram poucos. O muito então, está na intensidade que eu a sinto, na intensidade do ser que eu sou ao contempla-la. Está no natural que é quando sem querer, a minha mente viaja e eu assisto sem abrir os olhos, ela caminhando em minha direção. Vejo-a encostar a cabeça no meu ombro e entre meio aos corpos dançantes, ela se encontra em mim no primeiro encontro. Sinto as minhas mãos aquecerem lembrando o momento em que eu, ausente de mim, fiz-me presente para estar no momento. Ela olhou-me nos olhos e entre as luzes artificiais e o escuro, eu vi o sol brilhar naquele olhar. 
Eu desejei que ela não me esquecesse. 

Ela lembrou-se de mim e eu fiz questão de revive-la todos os seguintes dias. 
Agora eu escrevo, mas eu não consigo ordenar uma letra se quer. Faz tanto sentindo dentro de mim e nenhum sentido quando eu tento expor. 
É bonito, é leve, é novamente e novo, um sentimento bom.

Eu continuo.

Com gratidão,
Kau Bonnett.



Photo by William Krause on Unsplash

ELA ME ENSINOU SER



   Eu lembro - por entre as linhas da memória e fotografias - do meu primeiro ciclo de amor. Ela acariciava o meu rosto em silêncio e me embalava. Falava que eu era a coisa mais linda do mundo (ela provavelmente disse isso para todos os meus irmãos). Ainda em meu primeiro ciclo inconsciente de amor, ela lia histórias em quadrinhos para mim, incansavelmente, todos os dias. Ela acordava no meio da noite para ver se eu dormia bem. Beijava-me infinitas vezes durante o dia, e a dor maior pra ela, era quando eu me machucava. Ela me ensinou as coisas mais puras e lindas. Ensinou-me a qualidade e o valor do cuidado com o próximo. Claro que era dever dela como mãe me cuidar, mas não era dever meu repassar esse cuidado que ela teve comigo. E eu o fiz e ainda faço, se isso se chama caráter ou gentileza eu não sei. O que eu sei é que a cada ciclo de vida que eu avanço, eu vejo cada vez mais a minha mãe em mim, só que multiplicada. Eu ainda não tive um filho, mas eu recebi muitas pessoas em minha vida. Muitas vezes fiz coisas sem saber o motivo, mas em todas as vezes eu busquei o valor do carinho, fiz o meu melhor naquele momento e eu amei, eu amei com todo o amor que recebi e que pude acrescentar. Eu não sei o que é exatamente a palavra “gentileza”, mas eu acho que ela sempre esteve presente em minha vida, de muitas formas. 

Muito antes de ter, ela me ensinou a ser. 


Com Gratidão,
Kau Bonnett. 




Photo by Xavier Mouton Photographie on Unsplash

A PASSOS MÉDIOS E LENTOS A HISTÓRIA IRÁ ACONTECER

   Era um ano diferente de qualquer ano vivido, eu estava mais madura e mais cansada, parecia inclusive com os frutos nas árvores, que de tão maduros e cansados - sem a colheita - acabam-se no chão. 
Como eu ia dizendo, era um ano diferente e eu avançava sem medo, mas como todo ano, algo novo acontece, algo antigo retorna, ou algo que sempre esteve ali, diz querer continuar. E então eu a encontrei entre meio a vida cheia, ela escondia-se mal e estava vestindo algumas palavras gentis. Aproximei-me para percebe-la. Era um pouco mais da metade de um ano esquisito, e era ela novamente ali, segurando na mão direita a minha alma e na esquerda uma mala com todos os meus parágrafos, vírgulas, pontos e textos completos. O meu coração aqueceu e ela me olhou com aquela cara de nascer do sol quando vem acompanhado das desenhadas nuvens, colorindo o céu e fazendo as vezes incendiar.  Ela chegou com toda aquela delicadeza, soltou a mala no meu lado esquerdo, ficou de frente pra mim, olhou-me nos olhos e sugeriu-me buscar a minha alma. Sua voz ficou calma e ela estacionou os braços nos meus ombros, senti o peso do mundo, mas fiquei confusa, afinal, se ela estava com a minha alma em sua mão direita, aquele peso seria o meu? Eu, cheia de mim e madura em um todo, tomei fôlego novamente e iniciei um retrocesso, sendo novamente planta eu despi-me frente a ela e aceitei o caos, aceitei todas as estações. Mais uma vez, na busca da minha alma, mais uma vez, porque com ela eu poderei florescer. 
E você será o responsável pela sua. 

Com gratidão,
Kau Bonnett. 

Photo by Darius Bashar on Unsplash

OS OLHARES FALAM


  O que eu mais valorizo na vida, são os olhares que se conectam aos meus olhos. 
Admiro aqueles olhares que tiram os meus olhos para uma dança, aqueles que se fecham ao sentir o toque e os que se embaçam apenas sentindo. 
  Eu ja escrevi sobre muitos, e principalmente sobre os meus. Mas eu acho que nunca nos meus escritos, dei a eles o crédito de conexão única. E quanta sorte, benção, gratidão eu tenho na vida por conseguir ver, olhar, contemplar!
E eu sei que mudará a forma, crescerão as pintas, terei algumas marcas, mas lá dentro, na íris, onde apenas os sentimentos podem chegar, lá eu serei a essência. 
Lá eu serei a canção que convida a sintonia para uma dança. A canção que encontra a esperança em um dia sem paz. A melodia que se faz alegria. 
Lá, de dentro pra fora, eu cuidarei dos olhares pequenos que nascem grandes. 
Eu irei contemplar cada detalhe próximo. Apenas ou muito, para contar que talvez a minha paranóia estava corrreta... O olhar é uma conexão únicaUma conexão de vidas que eu não sou consciente. 
Conexão única que independe de tempo. 
Conexão unicamente e exclusivamente... De almas

Na maioria das vezes, bem mais alto que o coração.


Com gratidão,
Kau Bonnett.




Photo by Bacila Vlad on Unsplash

Inspiração

"E, naturalmente, é assustador. Você é deixado em um caos. Mas desse próprio caos nascem as estrelas. Encontre a si mesmo, encare a si mesmo."

OSHO

Guru

"Tudo aquilo que possui energia, possui força de atração!"

NICHOLAS JOHNSON

Escritor

"- Superar-se é observar-se e meditar para trabalhar em si mesmo e compartilhar com generosidade."

SURYAVAN SOLAR

Coaching